28. abr, 2021


Eu me atiro

com esperança na vida.

Jogo os sapatos,

me penduro na janela.

Planto flores,

colho frutas.

Leio versos

que ofereço ao vento.

Tenho agora

minha alma nutrida

do melhor alimento.

O amor pela vida.

- Carlos Silveira

Do livro : Versos Noturnos ( página 38 )

Carlos Silveira
14. abr, 2021


A última lauda ficou nos livros
Já não anseio ser poeta
Meu corpo e alma
só querem calma
e quase tudo o que eu queria
hoje não me serve de nada
Sonho outros sonhos
busco outros momentos
a única certeza é que não
me cabem mais os versos
portanto despeço-me
por hora, esse é meu agora.

Carlos Silveira
14. abr, 2021


Um dia eu morro
dentro dos poemas,
antes que definitivamente
para mim acendam velas.
No outro eu mato
os personagens
da minha memória
para não ficarem
em minha história
Depois sapateio ao
som do flamenco
E em outros dias o
com o samba do Cartola
Depois invento um novo ato
e continuo o espetáculo.

Carlos Silveira
14. abr, 2021


A distância o fez crer,
aqui não é o seu lugar
queria estar além-mar.
Vive preso, com o peso
da sua alma
enlutada de amor.

Segue a vida, agora sem nada,
do coração ficou faltando um pedaço,
não existe mais reparo.
A tristeza o deixou calado
dentro de si mesmo
apenas os versos fazem ecoar
seus gritos de desespero.
Sentindo sua dor, como um Fado,
na canção mais triste de Amalia.
(Nem as paredes confesso)



Carlos Silveira
14. abr, 2021

No acaso
desse caso
quem sabe
eu te abraço

Chamo para
uma dança
sem compasso
O ritmo eu faço

Depois de
um abraço
quem sabe
um beijo roubado
e um coração
apaixonado.

Carlos Silveira