Carlos Silveira - Poesia Urbana

MEUS POEMAS

Teu Semblante

 

Teu semblante
por vezes triste
Me solta um olhar
sorrindo, talvez singelo
Será disfarce doce
de uma amarga desilusão
Sonhos desconstruídos
iguais aos castelos de areia

Teu semblante
por vezes paixão
um olhar sedução
querendo se entregar,
se libertar, sem hesitar
soltar teus desejos
ao vento ao mar
no ato de amar

Teu semblante
por vezes distante,
sonha, embarca em viagens
que são só tuas.
Olhar de saudade,de alguém ausente
Toda emoção presente
Um carinho um ombro amigo,
As vezes lhe faz chorar

Teu semblante
por vezes quatro estações
de sentimentos puros e do
amor mais fraterno,
amor de mãe, e filhos
Um olhar poético, vestido de poemas de amor
E assim segue em frente...
Quando amanhece já te vejo sorrindo.

- Carlos Silveira

Lábios

 


Acordei com desejo
dos teus lábios 
todos os lábios 
abertos e rosados
encharcados de prazer

A língua que já não fala
agora sente 
mergulha, pincela
pinta a borda
de saliva

O gosto
O tato
O Cheiro

E o gemido
Que se espalha 
pelo silêncio do quarto
ecoando feito um grito

- Carlos Silveira
 

Seios

 

Seios, seios, seios
De lua cheia
É poesia em mãos que passeiam
Por rascunhos, que serão poemas
Feitos em noite de lua nova

E o desejo feito a lua 
Crescente à se expandir 
Se infla e cumpre o seu
Papel, ah lua sempre prometida
Para o deleite dos amantes

Seios, seios, seios
De lua cheia
Grande e belo
É canção de Caymmi
Na beira do mar, há me encantar

Seios, seios, belo seio
Fazem surgir estrelas...
Sob a luz da lua, foi embora
Agora minguante é a lua, e grande o desejo
Seios, seios, seios de lua cheia

- Carlos Silveira

Covarde

 

Sou um covarde
Tenho medos durante
o dia.
Não toco não mexo
nas letras, não rascunho 
palavras
Me falta arrojo e bravura,
me foge a valentia
É ai que me afundo
nas poesias
Devoro os livros
da estante
Mastigo Drumonds e Nerudas
Vomito meus contos e poemas
até o pôr do sol
Esperando a noite,
me salvar do dia,
e no mais...
Tudo é poesia.

- Carlos Silveira

A mulher que se vestia de silêncio

 

A mulher que se
Vestia de silêncio
Um dia foi feliz
Um dia amou
Amou tanto que cega ficou
mas amou
depois desamor
Um dia chorou
Um dia apanhou
Outro dia também
Apanhou e sangrou
Sangrou o corpo
Sangrou a alma
Sangrou o coração
A mulher chorou
E mais uma vez apanhou
E silenciosa ficou
Esqueceu que foi feliz
Esqueceu que amou
Mas seus olhos se abriram
E a mulher que se
Vestia silêncio,
Gritou.

- Carlos Silveira

Loki ?

FICO AQUI PENSANDO,

Será que eu vou virar bolor ?

SOU

Uma pessoa só

MAS,

Não estou nem ai

VOU

Me afundar na lingerie

OUVINDO,

Honky, Tonky

MAS

Cê ta pensando que eu sou Loki ?

ENTÃO

Desculpe

EU VOU

Navegar de novo

- Carlos Silveira

Inspiração títulos das músicas do album Loki de : Arnaldo Baptista

Pra ser poeta

Pra ser poeta
É preciso o quê ?
Um olhar atento,
e um coração carregado
de sentimentos ?
Então poeta somos todos nós,
sou eu, e você 

A poesia está em todos os lugares
Você já viu poesia, eu sei,
até em ônibus lotado
E na puta que anda pela calçada,
eu já vi, e você ?

E no moleque que solta pipa ?
E você já falou eu te amo !
Isso também é ser poeta
Mas se não for poeta,
que sua vida, seja poesia !

- Carlos Silveira

Do livro : Amor, asfalto e lama  ( página 76 )

Poema do refugiado

 
Em tempos de tanta frieza
Buscamos abraços quentes
 
Em guerras intermináveis
Que tenha entendimento e paz
 
Nesse ódio existente no mundo
Devemos espalhar o amor
 
 
Pra casas destruídas
Desejo que corações virem abrigos
 
Para dura realidade da vida
Precisamos construir mais sonhos
 
Na fome que sentimos
Que o carinho e o pão, nos alimente
 
Pra toda escuridão existente nas trevas
Que a luz ilumine os caminhos
 
Para quem esmoreceu na fé
Que Deus lhe erga, e sustente
 
 
- Carlos Silveira
 
 
 

À Margem da Vida

 

À margem da vida
Na altura de alguns anos
Percorri muitas estradas e
Mergulhei oceanos, feitos de prazer

Silenciei quando quis gritar
Gritei, quando era pra fazer silêncio
Senti vontade de matar, Mas também desejei morrer
Mas sempre a vida falou mais forte

Amei de verdade, pois amor não se finge
Gozei tanto a vida, e brinquei com a morte
Sonhei tanto, que consumia a realidade
Fui tudo, não sou nada

Busquei a liberdade, em coisas que me prendiam,
em jaulas difíceis de fugir, e quando tinha a liberdade
não sabia para onde ir
Perambulava feito um animal domestico,
depois de perder o dono

Hoje feito um algoz caço palavras, em noites sem dormir
E as condeno a ficarem prezas em poemas amadores,
em rascunhos impublicáveis que só serão lidos após
me desprender e libertar-me dos pecados.

- Carlos Silveira

Abraço, beijo e aperto de mão

 

Abracei Amigos
Por certo, alguns inimigos
Abracei causas e bandeiras
Abracei a vida, com unhas e dentes

Beijei cristo ao pé da cruz
Beijei meus filhos, pai e mãe
Beijei jovens meninas, e muitas senhoras,
E algumas donzelas 
Beijei a lona, nos golpes da vida

Apertei a mão de homens sujos
Apartei a mão de padres
Apertei friamente muitas mãos,
Essas foram por obrigação
Apertei mãos ao sentir medo
Apertei mãos que vibravam de tesão

- Carlos Silveira

A Mudança

 

 

Malas arrumadas

Todos os pertences

Guardados

 

Agora com a casa vazia

As lembranças parecem

Que se desenham pelas

Paredes

 

A mobília fez suas marcas

Ficou assim feita tatuagem

Marcando as paredes

 

 

As lembranças de todos

Os momentos invadem

Minha memória, em cada

Cômodo uma historia

 

Dou a última olhada

E no olhar brota uma lagrima

Fecho a porta, dou a derradeira

Volta na fechadura, e a lagrima

Escorre, então vou embora

 

Todos os momentos então

Vividos na antiga casa, vão ficando

Para trás e as boas lembranças agora

Se  instalam confortavelmente em

Minha memória

 

 

 

- Carlos Silveira

10/09/2016

 

Querendo acreditar, mas como ?

 

 

 

E se eu fosse sua imagem

e semelhança quem seria eu ?

 

E se eu seguisse os dez mandamentos

o que iria mudar, talvez fosse mais feliz ?

 

Mas e seu eu tivesse o habito de rezar

todas as noites, estaria mais protegido,

não iria morrer de bala perdida, iria ter

saúde por toda vida?

 

E se em um ato de obediência para mostrar minha

Fé ao divido, eu fizesse um sacrifico desses banais

e deixaria de comer uma pizza, por trinta dias o que

mudaria ?

 

Tantas rezas e orações, tantos pedidos, tanta fé

E o mundo anda assim, não era para estar melhor?

 

Já perguntei, questionei não achei uma resposta

plausível, só me falam Deus existe,para os que

tem fé, como ter fé se ainda não acredito.

 

- Carlos Silveira

 

Queria

 

Queria um poeta 
Mas não leu a poesia 
Queria prosa 
Mas não queria 
Verso .
Queria, queria...
Só queria ...
Queria o Homem ?
Queria o Poeta ?
Não sabia que os dois 
são um .
Poeta e Homem 
Um não vai sem o 
Outro.
Mal sabe ela 
Que o Poeta e 
Homem
Também carece 
De Amor.

- Carlos Silveira

Chuvoso

NESSE DIA CHUVOSO
SOZINHO
ESTOU SEM
QUERER
FICAR
ENTÃO FICO,
OUVINDO
MÚSICA
E LENDO
POEMAS
MAS
TROCARIA
POR
TER VOCÊ
AGORA,
NA
CAMA
E A MÚSICA
SERIA
OS TEUS GEMIDOS,
A SE MISTURAREM COM OS MEUS.
E O POEMA
SERIA
O TEU CORPO
AH IRIA OUVIR
MÚSICAS
E LER
POEMAS O DIA
TODO.
 
- Carlos Silveira
06/09/2016
São Paulo-S.P

Pai

 

Meu velho, meu pai
para onde foi,e para onde vai
se esta vivo, eu nem sei,
Não saberei jamais.

Nem sei se o chamo de pai,
Chamo por chamar pois você me fez,
Só fez, como dizem, qualquer um faz

Faltou o carinho, o abraço amigo
O amparo, o jogo de bola
Ir na reunião da escola, faltou o beijo,
E por ti o meu respeito

Não fomos ao futebol
Nunca soube qual o seu time
Nem sei se gostava de bola,
Ou se ouvia música, sempre foi silêncio

A mão no ombro e o sorriso no rosto
também faltou, ah faltou tantas coisas,
que não fizemos,e não faremos mais

Não sei a data do seu aniversário,
Talvez você nem saiba o minha
Não temos fotos juntos, no álbum de família,
Nunca tive sua proteção, e nem ganhei presentes

Olhando a sua foto amarelada pelo tempo,
Eu que pensava que por você não tinha
nenhum sentimento, deixei cair uma lagrima,
E assim chorei, mais uma vez.

- Carlos Silveira

 
 
 

Chama

 

Vem moça chegue
Não se acanhe 
Lhe digo eu te amo
Se isso lhe faz bem 
Até pra tuas orações,
Nessa noite eu digo amém

Mas minha fome
Já é tamanha
Hoje não me venha
De pijama, já te quero
é sem calcinha,
Vou roçar a mão
em tua vagina, gosto dela
molhadinha.

Vou te lamber
como um esfomeado 
Lambe um bom prato,
Passando a língua por
todos os lados

Quero tua boca
Me engolindo,
Em movimentos frenéticos
Depois devagar, assim ...
Me olha nos olhos,
E escuta meus gemidos

Deita e abre as pernas
Quero entrar nesse calor
Me queimar nessa chama
Te seguro pelas coxas
E empurro mais fundo,
Viajando em teu mundo,
Que agora é nosso mundo,
Feito de prazer.

- Carlos Silveira

Penso em ti

 

Meu corpo queima 
Penso em ti meu desejo
Quero viver o instante 
de um ardente beijo,
e nele alimentar meu desejo

Fazer do teu corpo meu Porto.
depois de tanto lhe amar 
Sussurrar eu te Amo
em teu ouvido, depois
talvez choremos de tanta
emoção.

- Carlos Silveira

Mosaico

 

Vou juntar 
os pedaços
do meu coração
que-bra-do
Vou colar
fazendo
um mosaico
e depois, dar
um brado
de alegria

- Carlos Silveira

Instantâneo

 

Fervi a água 
para o nosso
alimento

Coloquei tempero
foi tudo rápido
Comemos,
o amor instantâneo

saciamos a fome
Bebemos, até
o caldo

E no final da tarde
matamos a cede
Tomando, água da fonte
Em copos descartáveis

- Carlos Silveira

Homem enigmático

Homem enigmático,
Sustendado na poeisa
Assim suporta os dias
Que se arrastam devagar
Sendo roídos feito pano
Por gigantescos ratos
Homem teimoso,
A poesia é seu inseticida 
Por este motivo ainda, vive.

- Carlos Silveira

O sol

 

O sol brilha tímido 
A mente vasculha 
Lembranças...
Da noite enluarada 
Enviada como presente 
Para iluminar 
Beijos ardentes

- Carlos Silveira